A escuridão

Por Vlader Nobre

A primeira escuridão
Não chega assim breu
Chega leve
Como uma cartela de veneno
Escondida em algum bolso
De calça pendurada
Corda bamba
Madrugada
Que oscila entre
Ir e ficar aqui

A primeira escuridão
Vem como visita
Que não avisa que vem
E te pega de surpresa
Presa fácil
Em horas de arrepio
Entra na anti sala
E te cala
Senta e te observa sedenta
No avesso das coisas de dentro
E sufoca o soluço que há nessa solidão

A primeira escuridão
Deixa seus olhos acesos
A procurar sentido
No véu negro que se agiganta
Em nuvens carregadas de abandono
Casa sem dono
Coisa esquisita
Que grita sem ser ouvida
Que vida que há ?
Que lume chegará?
Que prometeu trará
O vagalume… De minha infância
Noites de menino crescido
Hoje entre achados… perdido

A primeira escuridão
Sempre passa
Mas amassa a espinha do corpo
E te enverga como um cipó
Pó de uma memória sem glória
Ela passa se afastando
Ela passa te olhando
Fresta aberta no buraco da alma
E te deixa ver o dia
Outra vez

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *